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entry Ontem, 08:39 PM
Telefônica Brasil faz joint-venture com Ânima para plataforma de cursos

* por Alberto Alerigi Jr. | Reuters

SÃO PAULO (Reuters) - A Telefônica Brasil anunciou nesta quarta-feira acordo não vinculante para formar uma joint-venture em partes iguais com o grupo educacional Ânima, com foco na criação de uma plataforma de cursos digitais.

A companhia afirmou que a joint-venture deve começar a operação no início de 2022 com equipe própria e independente. O foco será em cursos livres em áreas como tecnologia, gestão, negócios e turismo.

Operadoras de telecomunicações estão buscando ampliar seu portfólio, agregando aplicações como internet das coisas e telemetria, impulsionadas por investimentos maciços em banda larga e de olho nas possibilidades que serão abertas pela chegada da tecnologia 5G.

A aliança entre Telefônica Brasil e Ânima é semelhante a uma anunciada no início de julho pela TIM com o maior grupo privado de ensino do país, a Cogna, focada em cursos digitais de educação superior e livres.

entry Oct 26 2021, 09:23 PM
Evino compra a Grand Cru e vira 3ª força do vinho no País

* por Suzana Barelli | Estadão

A Evino, segundo maior e-commerce de vinhos da América Latina, comprou a Grand Cru, misto de importadora e loja de vinhos no Brasil e que pertencia, desde 2014, ao fundo de private equity Aqua Capital. Depois de seis meses de negociações, o contrato foi assinado neste fim de semana. A Evino torna-se o terceiro maior importador do Brasil, segundo a Ideal Consulting. Está atrás da Wine.com.br, que chegou à liderança ao adquirir a importadora Cantu, em maio deste ano, e da VCT, braço da chilena Concha y Toro no Brasil.

O valor da transação não foi revelado. "Não podemos divulgar, mas os acionistas ficaram bem satisfeitos", diz Alexandre Bratt, CEO da Grand Cru. A compra gera uma empresa com faturamento estimado na casa dos R$ 700 milhões, e a transação precisa da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

No acumulado dos últimos 12 meses até agosto de 2021, a Wine detém 10,6% do volume de vinhos importados; a VCT está em segundo lugar, com 10,3% e a Evino e Grand Cru juntas somam 6,8%, segundo a Ideal. "O movimento é para uma concentração, muito maior do que em anos anteriores", analisa Felipe Galtaroça, presidente da Ideal.

Estas compras, por enquanto, são de empresas de atuações complementares. Ao adquirir a Cantu, por exemplo, a Wine se fortaleceu na área de B2B (negócios entre empresas), em que não tinha participação relevante. São fortes as conversas de que uma outra importadora familiar brasileira será vendida em breve.

Fundadores
A Evino comprou 100% da Grand Cru, o que inclui a fatia de 77,5% do Aqua Capital e os 22,5% que ainda pertenciam às duas famílias argentinas que fundaram a importadora: os Levy tinham 15% e os Shayo, 7,5%. Mariano Levy, da segunda geração, segue como executivo da nova empresa, mas sem participação acionária, e deve ajudar na conversa com os produtores sobre a venda da Grand Cru.

Na semana passada, Levy e Ari Gorenstein, co-CEO da Evino, visitaram juntos alguns produtores em Portugal, com propostas de novos rótulos exclusivos para o Brasil. Na junção de portfólios, a Evino se consolida como a maior importadora de vinhos italianos e franceses e passa a ter uma relevância significativa nos rótulos argentinos.

A aquisição, afirma Gorenstein, será paga com recursos da geração de caixa do e-commerce e com uma linha de crédito. No mundo do vinho, o e-commerce foi um dos canais que mais cresceu com a pandemia no Brasil, com as facilidades das compras online.

Em 2020, a Evino teve receita bruta de R$ 423 milhões, contra R$ 259 milhões de 2019. Além do crescimento das vendas pelos canais digitais, as empresas de e-commerce foram favorecidas pelo efeito da Difal, que é a diferença entre as alíquotas do ICMS entre os estados.

Com a ausência de uma lei que regulamente a sua cobrança para o comércio eletrônico, várias empresas de e-commerce entraram na Justiça (e ganharam) o direito de não pagar esta diferença. Gorenstein estima que isso ajudou o caixa da Evino em cerca de R$ 50 milhões. Durante as negociações, a Evino chegou a discutir com a XP um plano de captação de recursos, que não está descartado para outras aquisições.

A ideia, agora, é criar uma holding, de nome ainda não definido, que gerenciará as duas empresas, e as duas marcas vão continuar a existir.

A Evino passa a se beneficiar da rede de lojas da Grand Cru - atualmente são 110 pelo Brasil, entre próprias e franqueadas, total que crescerá a 127 até o fim do ano - e do canal com restaurantes e hotéis. O e-commerce herda, ainda, as vinícolas premium do portfólio da importadora, como as argentinas Viña Cobos e Zuccardi, a portuguesa Niepoort, a italiana Allegrini, entre outros.

Desde meados da quarentena a Evino foca também em ampliar a linha de produtores renomados. "A 'premiunização' é uma das estratégias que estamos trabalhando", afirma Gorenstein. Por outro lado, a Grand Cru terá ganhos de escala com a força da Evino no mundo online. É previsto também o redesenho dos dois clubes de vinho, tanto o da Evino como o da Grand Cru.

entry Oct 25 2021, 09:04 PM
Tesla supera US$ 1 trilhão e Wall Street bate recordes

* por AFP

Nova York, 25 Out 2021 (AFP) - Os índices Dow Jones e S&P 500 fecharam com recordes nesta segunda-feira, enquanto a montadora Tesla superou 1 trilhão de dólares em valor de mercado.

O Dow Jones bateu o segundo recorde consecutivo ao subir 0,19%, a 35.741,15 pontos, enquanto o S&P 500 registrou a terceira marca histórica consecutiva ao ganhar 0,47%, a 4.566,92 unidades. O índice Nasdaq subiu 0,90%, com a Tesla em alta de 12,66%, tornando-se a nova empresa de tecnologia a superar 1 trilhão de dólares em valor de mercado.

A ação da Tesla disparou depois que a empresa de aluguel de veículos Hertz anunciou uma ordem de compra de 100 mil carros elétricos da montadora. Dessa forma, a ação da Tesla atingiu o preço de 1.024,86 dólares, dando à empresa um valor de mercado de 1 trilhão de dólares.

"A evolução dos carros elétricos é enorme e a Tesla está verdadeiramente posicionada como líder entre as fabricantes", destacou o analista Charles de Riedmatten da Myria AM.

entry Oct 24 2021, 07:38 PM
Reino Unido: tempo para solução de negociações comerciais com UE está acabando

* por Estadão

O governo do Reino Unido tentou, neste sábado, 23. acelerar o ritmo das conversas para resolver problemas comerciais pós-Brexit com a União Europeia, afirmando que os dois lados continuam distantes e o tempo está acabando para que se chegue a um acordo.

Negociadores de Reino Unido e UE se reuniram em Bruxelas na última semana para tentar resolver importantes diferenças que surgiram acerca das regras de comércio para a Irlanda do Norte. As conversas foram transferidas para Londres na terça-feira, e o Reino Unido afirma que “ainda há importantes lacunas nos assuntos fundamentais”.

O governo do Reino Unido disse que até agora as conversas foram “construtivas”, mas alerta que “precisamos ver progresso de verdade em breve em vez de ficar presos num processo de negociação sem fim porque os problemas na Irlanda do Norte não desapareceram”.

A Irlanda do Norte, que é parte do Reino Unido e tem uma fronteira com a Irlanda, que faz parte da União Europeia, continua dentro do mercado comum, sem tarifas, da UE, embora o Reino Unido tenha deixado o bloco no fim de 2020.

O status especial assegura uma fronteira aberta entre os países, um pilar do processo de paz da Irlanda do Norte desde 1998. Mas também significa uma nova fronteira para produtos que entram na Irlanda do Norte vindos do restante do Reino Unido, embora eles façam parte do mesmo país. Isso causou problemas para que alguns produtos cheguem à Irlanda do Norte.

entry Oct 24 2021, 07:38 PM
Credit Suisse eleva projeção para Selic a 10,5% e piora estimativas para PIB

* por Luana Maria Benedito | Reuters

A recente deterioração da credibilidade fiscal do Brasil levou o Credit Suisse a projetar a taxa Selic em 10,5% ao ano em maio do ano que vem, com o banco também elevando suas estimativas para a alta do IPCA e rebaixando a conta para o crescimento econômico do Brasil em 2021 e 2022.

O credor suíço espera agora que a economia brasileira cresça 5% este ano, contra projeção anterior de 5,3%. Para 2022, a expectativa é de que o PIB (produto interno bruto) suba apenas 0,6%, ante 1,1% estimados previamente.

Para a alta dos preços ao consumidor, o Credit Suisse aumentou sua previsão a taxa de 9,1% em 2021, contra avanço de 8,7% previsto anteriormente. Para 2022, a expectativa é de que o IPCA suba 5,5%, contra 5,2% anteriormente.

As projeções vieram acompanhadas de estimativas mais agressivas para o ciclo de aperto monetário doméstico. Segundo o credor privado, o Banco Central anunciará elevações de 125 pontos-base na taxa básica de juros em suas próximas duas reuniões, com mais uma alta de 100 pontos-base em fevereiro e outra de 75 pontos-base em março do ano que vem. Caso esse cenário se confirme, a Selic chegará a 10,5% em março.

As revisões vêm depois de o governo confirmar, nesta semana, intenção de contornar o teto de gastos para financiar o programa social que substituirá o Bolsa Família.

"A política fiscal mais ativa vai demandar uma política monetária mais apertada, tornando o cenário econômico mais desafiador, com juros mais altos, crescimento mais fraco do PIB, maior dívida bruta e inflação mais elevada", afirmou o Credit Suisse em relatório assinado por Solange Srour, economista-chefe do banco no Brasil, e Lucas Vilela, economista.

O banco também alertou para possibilidade de rebaixamento dos "ratings" da dívida do Brasil por agências de classificação de risco, uma vez que o teto de gastos é visto por elas como "importante âncora fiscal".

"Não existe almoço grátis", afirmaram os especialistas do Credit Suisse.

entry Oct 22 2021, 08:42 PM
Gigante alemã compra empresa centenária de ônibus nos EUA

* por Joana Cunha | Folha de São Paulo
com Mariana Grazini e Andressa Motter

A gigante alemã de viagens rodoviárias FlixMobility, dona da FlixBus, anunciou nesta quinta-feira (21) a compra da Greyhound, uma das principais companhias de ônibus nos Estados Unidos em uma transação envolvendo US$ 172 milhões.

Conhecida pela logomarca do cão da raça galgo inglês, a Greyhound foi fundada há mais de cem anos no estado de Minnesota. Os veículos da marca aparecem em filmes e livros, como Pé na Estrada, de Jack Kerouac, além de terem transportado ativistas dos direitos civis conhecidos como freedom riders nos anos 1960.

Desde 2007, a empresa pertence ao grupo britânico FirstGroup, que agora afirma ter completado a estratégia para concentrar seu portfólio orientado para o transporte público no Reino Unido.

Já a FlixMobility diz que a aquisição visa fortalecer a presença da FlixBus nos EUA.

A alemã também vai começar a atuar no Brasil no fim deste ano.

entry Oct 21 2021, 08:37 PM
ETF de futuros de bitcoin acumula US$ 1 bilhão em ativos em 2 dias

* por Saori Honorato | Portal do Bitcoin

Após alcançar um novo recorde de preço de US$ 66.200, o Bitcoin continua trazendo boas notícias nesta quarta-feira (20) ao entrar para a história como o primeiro ETF do mundo a acumular US$ 1 bilhão em ativos em apenas dois dias de negociação.

Se trata do $BITO, o ETF de futuros de bitcoin da ProShares que estreou ontem na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). O recorde foi divulgado no Twitter pelo analista da Bloomberg, James Seyffart:

“Aí está! É apenas 1h30 e $BITO já negociou US$ 1 bilhão em seu segundo dia. Selvagem. Assumindo que o fundo converteu apenas 43% desse volume em ativos (já havia convertido 57% ontem), este é o primeiro ETF a quebrar US$ 1 bilhão em ativos sob gestão em menos de 2 dias. O GLD fez isso em 3 dias”.

O GLD que o analista se refere diz respeito ao SPDR Gold Shares, o ETF que rastreia o preço do ouro em barras no mercado de balcão (OTC).

“Com frequência nós discutimos o que poderia tirar o $GLD do primeiro lugar como o ETF a atingir mais rápido US$ 1 bilhão em ativos. A única resposta que recebemos foi um ETF spot de bitcoin. Achei que o ETF de futuros de bitcoin provavelmente não teria demanda suficiente. Eu estava errado”, escreveu Seyffart.

A título de comparação, o ETF da Purpose Investments que estreou em fevereiro na bolsa de Toronto, considerado o primeiro ETF cripto da América do Norte, levou dois meses para atingir US$ 1 bilhão em ativos, um evento que na época foi recebido com surpresa pelo mercado.

ETF de sucesso
O primeiro ETF dos EUA vinculado ao bitcoin está mostrando um desempenho melhor do que o esperado pelos analistas. Como sinalizou James Seyffart, havia uma desconfiança no mercado que a demanda não seria tão grande pelo fato do ETF ser baseado nos contratos futuros de bitcoin negociados na CME (Bolsa de Chicago), o que oferece uma exposição menor a criptomoeda do que um ETF à vista.

Apesar disso, os números mostram que existem investidores interessados no produto, e não são poucos. O $BITO movimentou US$ 1 bilhão na sua estreia, volume que fez o ETF se tornar o segundo mais negociado no dia de abertura na história da bolsa de Nova York.

Na verdade, o analista da Bloomberg Eric Balchunas avaliou que esse foi o maior primeiro dia de qualquer ETF em termos de volume “natural”. Ou seja, as negociações do $BITO aconteceram de forma espontânea e o volume não foi influenciado por um único investidor de grande peso, como foi o caso do ETF da BlackRock que saiu na frente do bitcoin.

“A razão pela qual alguns desses (ETF) não deveriam ser incluídos na lista, na minha opinião, é que eles realmente não representam o interesse da base. […] Se excluirmos essas situações, o $BITO negociou 2x mais do que qualquer outro ETF no primeiro dia”, concluiu o analista.

entry Oct 20 2021, 09:19 PM
Produtores compram insumos agrícolas com antecedência, diz Bayer

* por P.J. Huffstutter e Zuzanna Szymanska | Reuters

CHICAGO/BERLIM (Reuters) – Agricultores dos Estados Unidos estão comprando sementes e produtos químicos que precisam mais cedo do que o normal, em uma tentativa de garantir oferta para a próxima primavera, em meio a problemas de cadeia de oferta de todo o setor, disse nesta terça-feira um alto executivo da empresa agrícola e farmacêutica Bayer AG.

A Bayer também estima que seus preços médios de sementes vão subir cerca de 5% em 2022, disse Liam Condon, presidente da unidade agrícola da Bayer, à Reuters nesta terça-feira.

“O que estamos vendo é uma carteira de pedidos bastante robusta”, disse Condon. “Como isso é extenso, ainda é muito cedo para determinar do nosso ponto de vista. Mas é claramente perceptível.”

Os produtores americanos estão se preparando para um aumento no valor de custo para produzir suas safras de milho e soja no próximo ano, em meio a preços crescentes de fertilizantes, produtos químicos e sementes, devido a questões trabalhistas, exportações e demanda crescente.

A Bayer não vê nenhum impacto em sua orientação anual de mudanças nos hábitos de plantio dos clientes ou uma paralisação de cinco semanas em sua principal unidade de produção de herbicida de glifosato na Louisiana após o furacão Ida, disse o grupo de ciências biológicas alemão nesta terça-feira.

A Bayer teve que fechar a fábrica da Louisiana depois que o furacão atingiu a Costa do Golfo no final de agosto, complicando ainda mais os problemas logísticos e da cadeia de oferta, que já haviam afetado os fornecimentos globais de fertilizantes e produtos químicos.

Os preços no mercado de fertilizantes, que também foi prejudicado pelo aumento dos custos de energia na Europa e na China, agora estão subindo para os níveis observados durante a crise financeira global.

entry Oct 19 2021, 08:31 PM
Lucro da Ericsson supera expectativas, apesar de revés na China

* por Reuters

A sueca Ericsson relatou lucro do terceiro trimestre acima das estimativas nesta terça-feira (19), uma vez que as fortes vendas de equipamentos 5G na maior parte do mundo compensaram a perda de participação de mercado na China continental e os problemas da cadeia de abastecimento global.

A Suécia proibiu a chinesa Huawei de vender equipamentos 5G no país há um ano e a Ericsson desde então perdeu grande parte de sua participação nas últimas rodadas de licitações de telecomunicações na China.

A proporção da receita que a Ericsson obtém da China caiu para cerca de 3% do total, de 10% a 11%, disse o diretor financeiro Carl Mellander, mas a Ericsson preencheu as lacunas deixadas pela Huawei em vários países diante de pressão do governo dos EUA.

As vendas na China caíram 3,6 bilhões de coroas suecas (R$ 2,3 bilhões) no terceiro trimestre e a empresa planeja redesenhar sua organização de vendas e entregas no país.

A Ericsson, rival da Nokia, também disse que os problemas da cadeia de suprimentos global começaram a piorar.

"No final do terceiro trimestre, experimentamos algum impacto nas vendas com alterações na cadeia de abastecimento e esses problemas continuarão a representar um risco", disse o presidente-executivo, Börje Ekholm, em comunicado.

A empresa não foi capaz de entregar determinados hardwares para seus clientes devido à falta de chips, além de problemas de logística, levando a uma queda na receita, disse Mellander.

O lucro trimestral ajustado subiu para 8,8 bilhões de coroas suecas (R$ 5,7 bilhões) de 8,6 bilhões (R$ 5,5 bilhões) um ano atrás, superando a previsão média de 7,85 bilhões (R$ 5 bilhões), de acordo com estimativas de analistas, segundo a Refinitiv.

Assegurar contratos 5G de todas as três empresas de telecomunicações dos EUA -Verizon, AT&T e T-Mobile- ajudou a empresa a absorver as perdas na China.

A receita total caiu 2%, para 56,3 bilhões de coroas (R$ 36,2 bilhões), abaixo dos 58,14 bilhões de coroas (R$ 37,4 bilhões) previstos pelos analistas.

entry Oct 18 2021, 09:14 PM
Technos dá a volta por cima com relógios inteligentes

* por Estadão

A Technos está presente há mais de um século no pulso dos brasileiros. O grupo, que também é dono das marcas Euro e Mormaii, passou por um recente processo de reestruturação pelo qual fincou raiz na sua origem: os relógios.

Ao fazer a virada depois de um período de crise, a empresa não só buscou deixar a operação mais eficiente, mas dobrou a aposta nos relógios inteligentes – tecnologia que havia abalado suas estruturas no passado e que acabou se tornando o maior trunfo para atravessar a turbulência.

Guinadas de direção dos negócios foram uma estratégia recorrente para a fabricante de relógios. A empresa, que nasceu em 1900, na Suíça, como um ateliê de relógios de mesa, teve de acompanhar todas as revoluções e tendências do mercado para se manter de pé.

Desde os anos 1970, a Technos tem o Brasil como seu principal mercado – e, a partir de 1994, tornou-se uma marca de capital brasileiro. Logo, há muito tempo a Technos lida com as flutuações da economia nacional.

Na década de 1980, conseguiu sair de um período de sufoco por conta dos relógios que trocavam as pulseiras – algo que foi uma febre por anos no Brasil. O tradicional modelo de diferentes pulseiras coloridas foi a “pedra fundamental” para a transformação do simples marcador de horas, como eram vistos os relógios, para um item de moda, o que fez com que os consumidores passassem a ter gavetas repletas dos mais diferentes modelos.

Mas foi após 2014, quando a economia do Brasil já estava na corda bamba, que a crise se instalou de vez na companhia. Naquele momento, a competição chegou por todos os lados, especialmente da produção chinesa, mais barata, que invadiu o País, e também pelo início da chegada dos primeiros “smartwatches”.

Naquele momento, o negócio se viu diante de um precipício. A companhia apostou que seria difícil sobreviver só com base na tradição de seus relógios. Logo foram lançadas linhas de óculos e joias, com o objetivo de diversificar para ajudar nas receitas – mas a tática se revelou malfadada.

“Na tentativa de abrir novos caminhos e questionar o negócio tradicional, fizemos muitos investimentos que não foram frutíferos”, diz o presidente da companhia, Joaquim Ribeiro, que assumiu em 2019, pela segunda vez, a presidência da companhia. “Desde então, estou liderando esse processo de reformulação e de rejuvenescimento da companhia”, conta o executivo, que também é acionista da empresa, com cerca de 6% do capital.

Não é fácil uma empresa conhecida por um único produto dar uma guinada em um momento difícil. Especialista em marcas, Jaime Troiano afirma que é comum as empresas passarem pela “tentação” de estender o portfólio de produtos. “Um dos pecados das empresas é tentar pisar em territórios nos quais não têm uma autoridade”, afirma. “A empresa precisa pensar em sua razão de ser, em seu verdadeiro propósito. É a partir daí que se deriva a extensão de uma marca mais autêntica.”

Virada
Dentro desse processo de revisão geral dos negócios, a pandemia acabou ajudando a Technos a colocar o pé no acelerador. Foi a partir de então que se bateu o martelo de que era necessário enxugar o quadro de funcionários e voltar os olhos ao negócio central – os relógios.

Aí se percebeu também que a ameaça poderia virar um trunfo: a companhia decidiu, então, investir mais fortemente nos relógios inteligentes, opção que existia em seu portfólio desde 2015.

Se competir pelo mesmo público que Apple e Samsung estava completamente fora de questão, a empresa percebeu que existia um público imenso não atendido por essas marcas. “O que vimos é que existe um estrato da população sedento por produtos tecnológicos”, comenta Ribeiro.

Esse público, segundo o executivo, não tem poder aquisitivo para desembolsar os valores dos relógios cobrados pela Apple, por exemplo, cujos preços alcançam mais de R$ 5 mil.

Como base de comparação, a Technos tem um relógio inteligente que estampa a grife esportiva Mormaii e é vendido por R$ 699. E também pulseiras fitness, ainda mais baratas. “Vemos que o consumidor depois vai migrando para os produtos mais sofisticados da marca”, conta Ribeiro.

Os resultados comprovaram a tese de negócios. A empresa não informa quanto das vendas totais vieram dos relógios tecnológicos, mas o presidente da Technos diz que essa participação vem subindo. “O último trimestre foi o melhor nos últimos cinco anos”, afirma Ribeiro.

Considerando apenas os dados do segundo trimestre de 2021, a receita líquida da empresa atingiu R$ 76,5 milhões, um aumento de 329% na relação anual.

O lucro líquido ainda é tímido: R$ 7,6 milhões. No entanto, o número significa que a empresa saiu do vermelho. Mais recentemente, investidores têm reconhecido as mudanças e as ações da companhia listadas na Bolsa brasileira têm saído do limbo. Em um ano, os papéis da fabricante de relógios acumulam alta de 250%.

De acordo com Ribeiro, foi a partir da aposta nos relógios inteligentes que o ponteiro da rentabilidade da companhia migrou do vermelho para o azul. O total de relógios vendidos saiu de 130 mil, no segundo trimestre do ano passado, para nada menos do que 446 mil no mesmo período de 2021.

Inovar para sobreviver
A empresa, segundo o executivo, colocou o pilar da inovação no centro de sua estratégia, já que isso é fundamental para sobreviver em um mercado em constante transformação. Apesar desse direcionamento, percebeu que o tradicional não pode ser deixado de lado.

A prova está no portfólio de produtos. Quem quiser um relógio de bolso, comum há cem anos, poderá sempre encontrar um da Technos. “É preciso saber equilibrar. Não precisa renunciar ao sucesso anterior para se construir o novo.”

Os números, até agora, têm comprovado a tese: metade das vendas vem dos lançamentos, sejam eles mecânicos ou com tecnologia embarcada. Com oito marcas, o grupo tem nada menos que mil itens no portfólio.

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