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entry Ontem, 08:16 PM
O que tornou Irlanda economia com maior produtividade entre países desenvolvidos

* por Naomi Rainey | BBC News

Não muito longe do trânsito do The Liberties, um bairro histórico da classe trabalhadora em Dublin, fica a grande fábrica de uma das marcas mais famosas da Irlanda: a Guinness.

A famosa cerveja é produzida nessa fábrica desde que seu criador, Arthur Guinness, adquiriu o prédio em ruínas em 1759. Mas, agora, a tradicional cerveja escura é produzida em um enorme complexo de prédios, ligados por tubos metálicos, ao ritmo do som de barris transportados em empilhadeiras.

A fábrica, de propriedade da multinacional de bebidas Diageo, pode parecer muito distante do início da Guinness, mas Aidan Crowe, diretor de operações de cerveja, diz que o processo básico da cervejaria não mudou muito. "Nosso processo principal é, na verdade, muito semelhante aos processos que Arthur Guinness teria usado."

A Brew House, em St Jame's Gate, no cais de Dublin, foi inaugurada em 2013 e era a mais eficiente do mundo na época, diz Crowe. Atualmente, a cervejaria produz 3,5 milhões de pints por dia – o equivalente a 1,3 bilhão de pints anualmente (um pint equivale a 0,56 litros). Pint é o tamanho de um copo de cerveja mais comum na Irlanda.

"A tecnologia nos permitiu ser muito mais eficientes, mudando a forma como lidamos com coisas como água fria, utilização de vapor, utilização de eletricidade, e outras coisas", diz ele.

Crowe diz que novas atualizações ainda serão feitas.

"Você define metas para si mesmo, talvez metas de cinco ou dez anos. Mas quando você atinge esses marcos, de repente descobre que o horizonte mudou", acrescenta.

O impulso das multinacionais
Com recursos enormes, empresas gigantes como a Diageo conseguem ampliar suas ambições. Mas não é apenas a Diageo. A economia da Irlanda está se beneficiando de ser o país-sede de muitas empresas multinacionais.

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a Irlanda é o país mais produtivo do mundo.

Em termos econômicos, produtividade é quanto valor um trabalhador acrescenta aos bens e serviços que produz. E alguns trabalhadores estão em melhor posição para acrescentar valor do que outros.

Por exemplo, apesar de estar ocupado o dia todo, a produtividade de uma pessoa atrás do balcão de um café está limitada ao que as pessoas estão dispostas a pagar pela comida e bebida que vendem. Mas em uma empresa multinacional de tecnologia ou em uma empresa farmacêutica, os funcionários trabalham em produtos e serviços de maior valor agregado — o que os torna mais produtivos em termos de números oficiais.

Emma Howard, economista da Universidade de Tecnologia de Dublin, afirma que a Irlanda é um exemplo global "único", com a elevada concentração de empresas multinacionais ajudando a aumentar os números da produtividade.

"Se olharmos para a nossa produtividade total do trabalho, ela é duas vezes e meia superior à média da União Europeia", diz ela. "Mas se dividirmos isso em produtividade do trabalho interno e produtividade do setor externo, há enormes diferenças."

O Escritório Central de Estatísticas da Irlanda mede a produtividade através do valor agregado bruto (VAB) por trabalhador por hora. O VAB é o produto total de bens e serviços, menos as despesas de produção.

Quando olhamos para esse número, vemos que as empresas estrangeiras fazem a produtividade da Irlanda crescer.

No segundo trimestre do ano passado, o VAB das empresas estrangeiras na Irlanda era de 414 euros por trabalhador, por hora. Para as empresas locais, esse valor foi de apenas 55 euros.

Os dados mostram também que, em 2022, as empresas estrangeiras representavam 56% do valor agregado bruto da economia irlandesa.

A atratividade da Irlanda para multinacionais acontece por uma série de razões — incluindo baixa incidência de impostos, diz Howard.

"Se olharmos para o tipo de empresas que está aqui – Google, Microsoft, Pfizer ou Meta – elas estão produzindo uma série de bens de valor muito elevado", diz ela.

"Alguns desses ativos podem ser propriedade intelectual, não são ativos físicos. Alguns podem estar sendo canalizados pela Irlanda para se aproveitar dos impostos baixos."

Números artificiais?
Para alguns economistas, as empresas multinacionais distorcem os números econômicos da Irlanda.

"Parece que elas geram muita atividade econômica, mas o que se ganha com isso [na Irlanda] não é muito. Em certo sentido, é completamente artificial", afirma Stefan Gerlach, economista-chefe do banco suíço EFG International e antigo vice-presidente do Banco Central da Irlanda.

Para ele, a enorme diferença de produtividade entre empresas estrangeiras e locais não é tão grande como os números indicam. "É um problema de medição", diz ele.

Gerlach salienta que o rendimento nacional bruto (RNB) pode ser uma forma mais precisa de discutir a produtividade da Irlanda.

Esse dado explica melhor a forma como as empresas multinacionais direcionam o fluxo de receitas através dos seus negócios.

Em 2023, um documento do Comitê Consultivo Fiscal da Irlanda afirmou que a utilização do RNB como medida poderia colocar a produtividade da Irlanda mais alinhada com a de outros países europeus.

Gerlach acredita que a utilização de uma medida de produtividade enganosa poderia orientar de forma equivocada as políticas dos governos. "Existe o risco de os políticos superestimarem os benefícios e subestimarem os riscos potenciais de se ter um grande pool internacional na economia."

Howard e Gerlach concordam que a atratividade da Irlanda como país para fazer negócios não se deve só por causa dos impostos. O fato de ser um país de língua inglesa e membro da União Europeia também é um benefício. Além disso, a Irlanda tem uma força de trabalho bem qualificada.

"Em todas as faixas etárias, temos uma proporção maior de trabalhadores com ensino superior do que a média da UE. Também temos uma proporção muito maior de pessoas formadas em STEM [ciências, tecnologia, engenharia e matemática] do que os demais países da UE", afirma Howard.

"Temos trabalhadores altamente qualificados — uma força de trabalho altamente qualificada — e isso tem impacto na nossa produtividade no trabalho", acrescenta.

Independentemente do que os dados mostrem, a produtividade muitas vezes melhora com a interação diária entre trabalhadores e diretores.

Esse tem sido particularmente o caso desde a pandemia, quando muito mais funcionários começaram a trabalhar em casa. Hoje em dia, é menos provável que os funcionários estejam no escritório e até mesmo no mesmo país.

Isso representa um desafio diário para Robin Blandford.

Sua empresa, a D4H, apoia equipes de resposta a emergências em todo o mundo. Ela fica sediada em um farol do século 19 no Cabo Howth, com vista para a Baía de Dublin.

O objetivo de Blandford é motivar o seu pessoal em sete países. "Para mim, produtividade é quando todos estamos caminhando na mesma direção", diz Blandford.

"Então é importante haver uma boa comunicação, todo mundo entendendo e se comunicando o máximo possível com as pessoas, entendendo o rumo que estamos tomando, como tomar uma decisão."

"À medida que nos espalhamos, o que pedimos às pessoas é que se tornem parte das suas comunidades. Não deixe o local de trabalho escolher seus amigos", conclui Blandford.

entry Mar 1 2024, 08:35 PM
OMC chega a acordo e prorroga isenção de tarifas para comércio eletrônico por mais dois anos

* por Financial Times

Membros da OMC (Organização Mundial do Comércio) fecharam um acordo nesta sexta-feira (1°) para prorrogar a isenção de tarifas para o comércio eletrônico por mais dois anos, depois que Índia e África do Sul retiraram sua oposição depois de cinco dias de negociações.

A moratória, que é tradicionalmente renovada a cada dois anos, foi apoiada por quase todos os governos e empresas.

Negociadores de mais de 160 países ainda discutem se haverá limites para os subsídios para a pesca excessiva e também debatem o apoio estatal aos agricultores.

Os acordos na conferência ministerial bienal são um impulso para a OMC, que tem lutado para conter o aumento do protecionismo e o uso de subsídios pelos EUA, China e outras potências globais.

entry Feb 29 2024, 08:15 PM
Microsoft, OpenAI e Nvidia investem em startup de robôs avaliada em US$ 2,6 bi

* por Michael Acton | Financial Times

Microsoft, OpenAI e Nvidia estão entre os investidores de uma startup do Vale do Silício que tem como objetivo introduzir robôs humanoides alimentados por inteligência artificial na força de trabalho e transformar o mercado de trabalho global.

A Figure AI anunciou nesta quinta-feira (29) que arrecadou US$ 675 milhões (R$ 3,3 bilhões) de algumas das principais empresas de IA do mundo em uma nova rodada de financiamento que avaliou a empresa em US$ 2,6 bilhões (cerca de R$ 13 bilhões).

A startup planeja usar o capital para contratar mais engenheiros, expandir seu treinamento de IA e a fabricação de robôs.

A Figure AI também fechou um acordo com a OpenAI para desenvolver os "modelos de IA de próxima geração para robôs humanoides" e assinou um acordo de infraestrutura de IA com a Microsoft, informou a empresa.

"Nossa visão na Figure é levar robôs humanoides para operações comerciais o mais rápido possível", disse o diretor executivo Brett Adcock, que fundou a Figure há quase dois anos.

Adcock, que também cofundou o serviço de táxi aéreo Archer Aviation, acrescentou que, com essa rodada de investimento, a empresa está pronta para ter um "impacto transformador na humanidade".

A Figure AI acredita que seus robôs humanoides, capazes de realizar tarefas como mover caixas para uma esteira, poderiam amenizar a escassez de mão de obra e preencher até 10 milhões de empregos "indesejáveis ou inseguros" apenas nos EUA.

Até 2030, o setor de manufatura dos EUA terá 2,1 milhões de empregos não preenchidos, apontou um estudo de 2021 da Deloitte.

A última rodada de financiamento inclui os fundos de startups da OpenAI, Align Ventures e Ark Invest, bem como a Bezos Expeditions, o family office do fundador da Amazon, Jeff Bezos.

A Parkway Venture Capital e a Intel Capital, que investiram na rodada anterior, de US$ 70 milhões, em maio de 2023, também estão financiando a empresa novamente.

A Figure busca acelerar seus planos comerciais com sua colaboração com a OpenAI e aprimorar a capacidade de seus robôs de processar linguagem, disse.

Peter Welinder, vice-presidente de produtos e parcerias da OpenAI, disse que as duas empresas poderão "explorar o que os robôs humanoides podem alcançar quando alimentados por modelos multimodais altamente capazes".

A Microsoft fornecerá à Figure acesso à infraestrutura de IA, treinamento e serviços de armazenamento de sua plataforma de computação em nuvem Azure.

Isso irá "apoiar a implantação de robôs humanoides para ajudar as pessoas com aplicações concretas", disse Jon Tinter, vice-presidente corporativo de desenvolvimento de negócios da Microsoft.

A startup fechou um acordo em janeiro com a BMW, seu primeiro acordo comercial, para implantar seus robôs nas montadoras dos EUA, inicialmente na Carolina do Sul. Ela pretende começar este ano.

O envolvimento da Nvidia na rodada de financiamento vem na esteira de um robusto relatório de ganhos referente a 2023, que ajudou a impulsionar os mercados de ações globais para máximas históricas.

A fabricante de chips dos EUA tem sido a principal beneficiária de um boom de IA que impulsionou a demanda por seus chips. A Nvidia ao mesmo tempo surgiu como um dos investidores mais prolíficos em startups de IA, investindo em 35 empresas em 2023.

A OpenAI, cujo chatbot ChatGPT desencadeou o boom de IA no final de 2022, tem uma relação complexa com a Microsoft.

A Microsoft fez um investimento de US$ 13 bilhões na empresa, mas não possui participação acionária convencional. A OpenAI foi fundada como uma organização sem fins lucrativos em 2015, mas possui subsidiárias com fins lucrativos criadas para facilitar o investimento da Microsoft.

A empresa ainda está no processo de mudar sua estrutura de gestão após um colapso de seu conselho que resultou na demissão temporária de Sam Altman, em novembro.

entry Feb 28 2024, 08:48 PM
Montadoras não vão contestar proibição de carros a combustão na UE, diz líder da indústria

* por Gilles Guillaume | Londres | Reuters

Os fabricantes de automóveis da Europa não contestarão a decisão da União Europeia de banir os veículos movidos a combustíveis fósseis a partir de 2035, independentemente de quem vencer as eleições parlamentares europeias deste ano, disse o líder do grupo da indústria automotiva do continente na segunda-feira (26).

Em uma entrevista coletiva no Salão do Automóvel de Genebra, Luca de Meo, presidente da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA), disse que a responsabilidade da indústria automotiva "como líderes empresariais não é argumentar contra a regulamentação".

"Não estamos contestando 2035", afirmou de Meo, que também é presidente-executivo da montadora francesa Renault.

A proibição total de carros movidos a combustíveis fósseis em 2035 "é potencialmente viável, mas as condições corretas precisam ser colocadas", acrescentou.

A desaceleração do crescimento da demanda por veículos elétricos aumentou a pressão sobre a indústria automotiva da Europa para cortar custos e desenvolver modelos mais acessíveis, à medida que novos rivais chineses chegam com modelos de custo mais baixo.

As montadoras têm argumentado repetidamente que são necessários mais subsídios governamentais e uma infraestrutura de recarga de baterias mais ampla para estimular a demanda por veículos elétricos e incentivar a adoção em massa.

entry Feb 27 2024, 08:36 PM
Microsoft anuncia acordo com Mistral, rival da OpenAI; União Europeia investiga parceria

* por Yuvraj Malik, Krystal Hu, Martin Coulter | San Francisco | Reuters
Foo Yun Chee | Londres

A Microsoft disponibilizará os modelos de inteligência artificial da startup francesa Mistral AI por meio de sua plataforma de computação em nuvem Azure sob uma nova parceria, anunciaram as empresas nessa segunda-feira (26). A União Europeia divulgou na terça-feira (27) que investigará o acordo.

O acordo plurianual sinaliza os esforços da Microsoft para oferecer uma variedade de modelos de IA além de sua maior aposta na OpenAI, enquanto a gigante da tecnologia busca atrair mais clientes para seus serviços em nuvem Azure.

Como parte do acordo, a Microsoft adquirirá uma participação minoritária na Mistral, confirmou a startup à Reuters sem divulgar detalhes.

A Microsoft confirmou seu investimento na Mistral, mas disse que não possui participação acionária na empresa. A Mistral trabalha com código aberto e grandes modelos de linguagem (LLM) proprietários, semelhante ao modelo que a OpenAI foi pioneira com o ChatGPT, que compreende e gera texto de maneira semelhante à humana.

A startup sediada em Paris também tem trabalhado com a Amazon e o Google para distribuir seus modelos. A empresa planeja disponibilizar o Mistral Large em outras plataformas em nuvem nos próximos meses, segundo um porta-voz.

A União Europeia anunciou que investigará o acordo como parte de seu exame contínuo das parcerias de IA das grandes empresas de tecnologia. O braço executivo da UE alertou anteriormente que o apoio da Microsoft à OpenAI pode estar sujeito às regras de fusão da UE.

"O que está surgindo mostra ainda mais que foi bom não enfraquecer nossa ambição quanto à segurança dos modelos de GPAI (IA de uso geral) com riscos sistêmicos, após o lobby legítimo, mas forte, de empresas como a Mistral", disse Brando Benefei, membro do Parlamento Europeu que supervisionou a elaboração da Lei de IA. "Essa história (o acordo entre Microsoft e Mistral) precisará ser mais bem investigada."

Ao longo das discussões sobre a ampla Lei de IA da UE, a Mistral fez lobby por regras mais flexíveis para alguns modelos, com alertas de que normas rígidas corriam o risco de minar a capacidade das empresas europeias de competirem com as grandes corporações de tecnologia.

Representantes de Microsoft e Mistral AI não comentaram o anúncio da União Europeia.

entry Feb 26 2024, 08:16 PM
Empresas da zona do euro podem estar absorvendo aumentos salariais, diz chefe do BCE

* por Balazs Koranyi | Reuters

FRANKFURT (Reuters) - O crescimento dos salários continua robusto em toda a zona do euro, mas as empresas podem estar absorvendo parte desse aumento por meio de margens de lucro menores, em vez de aumentar os preços, disse a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, nesta segunda-feira.

"A expectativa é de que o crescimento dos salários se torne um impulsionador cada vez mais importante da dinâmica da inflação nos próximos trimestres", disse Lagarde a parlamentares europeus em Estrasburgo.

"Ao mesmo tempo, a contribuição dos lucros (...) está diminuindo, o que sugere que, como esperado, os aumentos dos custos de mão de obra são parcialmente amortecidos pelos lucros e não estão sendo totalmente repassados aos consumidores", disse ela em uma audiência parlamentar.

entry Feb 24 2024, 08:18 PM
Casa dos Ventos anuncia investimento de R$ 12 bi em energia renovável

* por Daniele Madureira | Folha de São Paulo

A empresa Casa dos Ventos vai investir R$ 12 bilhões em ativos renováveis até o final de 2026. A companhia, dona de três parques eólicos concluídos e três em desenvolvimento, todos no Nordeste, soma 3,1 gigawatts (GW) de energia renovável.

A injeção de capital visa dar fôlego novo à expansão da companhia, ancorada na parceria com a petroleira francesa Total Energies, que comprou um terço da brasileira no começo de 2023.

"O total de R$ 12 bilhões inclui novos projetos de energia solar, que vão gerar 1 GW de energia, além da conclusão das eólicas em construção", afirmou o diretor-executivo da Casa dos Ventos, Lucas Araripe.

Entre R$ 3 bilhões e R$ 3,5 bilhões serão aportados com capital próprio e o restante contará com financiamento de longo prazo via BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), BNB (Banco do Nordeste) e mercado de capitais, disse o executivo, filho do presidente da empresa, Mário Araripe, ex-dono da fabricante brasileira de jipes 4x4 Troller.

A marca automobilística foi vendida para a Ford em 2007.

Segundo Lucas, apesar de a Total Energies ser voltada ao mercado de óleo e gás, a multinacional está comprometida com a transição energética. "Eles têm planos ambiciosos para a energia limpa", disse. "Até 2030, a meta da Total é gerar 100 GW em energias renováveis."

Em outubro, durante o 1º Fórum Esfera Internacional, em Paris, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a Total Energies deve investir R$ 500 bilhões em projetos para produção de petróleo, gás e energia limpa no Brasil até 2026.

Com a acionista francesa, a Casa dos Ventos obtém mais garantia para financiamentos, acesso a novos clientes, sinergia com fornecedores e maior conhecimento técnico, afirmou Lucas.

"Nós fomos pioneiros em desenvolver projetos de energia renovável, inclusive para outras empresas do setor que se dedicavam à geração e distribuição de energia", disse o executivo. "Mas decidimos nos dedicar a essas outras etapas do processo, nos tornando uma empresa completa, que pode tanto gerar energia limpa quanto ajudar indústrias de outros setores a se descarbonizarem."

Neste último caso, Lucas se refere especialmente ao uso do hidrogênio verde e derivados em projetos de transição energética.

"A amônia verde, por exemplo, é uma mistura de hidrogênio verde com nitrogênio, que pode ser empregada tanto em motores de trens e navios quanto na produção de fertilizantes nitrogenados", afirmou.

De acordo com ele, se a energia eólica está muito concentrada no Nordeste, a energia solar permite que a empresa expanda suas operações para as regiões Centro-Oeste e Sudeste.

A ideia é formar parques híbridos, expandindo o portfólio de geração solar em parques que já operam projetos eólicos. Segundo o executivo, a projeção é que a carteira total de projetos nas fontes eólica e solar chegue a 4,2 GW até 2026.

A energia eólica representa 13% da matriz energética brasileira, segundo dados do Siga —Sistema de Informação de Geração da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). É a segunda mais importante, depois da energia oriunda de hidrelétricas, que domina a matriz brasileira, respondendo por 53% do total.

A energia de biomassa vem em terceiro lugar (9%), seguida pelas geradoras de energia elétrica de pequeno porte —chamadas de PCH (Pequena Central Hidrelétrica)— e CGH (Central Geradora Hidráulica), que somam 5%. A fotovoltaica (solar) representa apenas 3% da matriz energética nacional.

O Brasil tem hoje 31 GW de capacidade instalada em operação comercial de energia eólica, segundo dados da ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica). São 1.625 parques eólicos no total, com mais de 10,8 mil aerogeradores, em 14 estados do país.

entry Feb 23 2024, 08:59 PM
Para Bundesbank, PIB alemão será mais fraco em 2024 e terá contração no 1º trimestre

* por Dow Jones Newswires

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha será mais fraco em 2024 do que o esperado anteriormente, demonstrando uma recuperação atrasada e gradual, afirmou nesta sexta-feira, 23, o presidente do BC alemão, Joachim Nagel, enquanto apresentava o relatório anual do Bundesbank.

De acordo com ele, as exportações alemãs devem crescer neste ano à medida que a demanda por bens retorna, os gastos das famílias devem se beneficiar dos salários reais mais altos, enquanto um mercado de trabalho estável e um forte avanço salarial significarão que as pessoas terão efetivamente mais dinheiro disponível.

Nagel acredita que o conjunto desses fatores será responsável por apoiar a economia ao longo do ano, após uma contração leve no primeiro trimestre de 2024 - resultado da cautela sobre gastos domésticos e da queda recente e significativa da demanda industrial externa.

entry Feb 22 2024, 09:28 PM
FMI vê riscos de baixa para Japão em 2024 e recuperação no Reino Unido

* por Andrea Shalal | Reuters

WASHINGTON (Reuters) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) disse nesta quinta-feira que o desempenho econômico mais fraco do Japão em 2023 poderia aumentar os riscos para baixo na atividade em 2024, enquanto os indicadores de alta frequência apontavam para uma recuperação no Reino Unido este ano.

A porta-voz do FMI, Julie Kozack, disse a repórteres que o credor global levaria em conta as novas informações sobre as economias japonesa e britânica -- que entraram em recessão -- ao preparar uma nova previsão global a ser divulgada em abril.

Ela destacou que a inflação estava em queda, mas "o trabalho ainda não está concluído no que diz respeito à política monetária" e disse que o FMI estava pedindo aos bancos centrais que se precavessem contra a flexibilização prematura das taxas de juros.

Quando o núcleo das pressões de preço e as expectativas de inflação estiverem se movendo de forma clara e decisiva em direção aos níveis das metas, alguns ajustes na política monetária "podem ser justificados", disse ela.

Kozack também ressaltou que a política monetária estava se tornando menos sincronizada, com algumas economias de mercados emergentes começando a reduzir as taxas de juros, enquanto algumas economias avançadas estavam se segurando para garantir que as pressões inflacionárias diminuíssem.

O Japão entrou inesperadamente em recessão no final do ano passado, perdendo seu título de terceira maior economia do mundo para a Alemanha e levantando dúvidas sobre quando o banco central do país começaria a sair de sua política monetária ultraflexível que já dura uma década.

Alguns analistas estão alertando para outra contração no trimestre atual, já que a fraca demanda na China, o consumo lento e a interrupção da produção em uma unidade da Toyota Motor Corp apontam para um caminho desafiador para a recuperação econômica.

Kozack disse que a produção mais fraca do que o esperado do Japão no segundo semestre foi impulsionada pelo fraco consumo e investimento interno, embora o crescimento em 2023 como um todo tenha permanecido robusto graças às fortes exportações.

"Vemos que o desempenho mais fraco em 2023 pode aumentar os riscos de queda da economia japonesa", acrescentou ela, sem entrar em detalhes.

entry Feb 21 2024, 08:49 PM
Nvidia lucra com corrida por IA, surpreende mercado e anuncia receita de R$ 300 bi

* por Pedro S. Teixeira | Folha de São Paulo

Dona de uma posição estratégica na corrida pelo desenvolvimento de inteligência artificial, a Nvidia divulgou, nesta quarta-feira (21), receita de US$ 22,1 bilhões (R$ 108,9 bilhões) no último trimestre do ano passado. A alta é de 265% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Assim, a empresa acumulou receita de US$ 60,9 bilhões (R$ 300,2 bilhões) ao longo do ano. O resultado é melhor do que o da Microsoft, a empresa com maior valor de mercado no mundo, para 2023 (US$ 56 bilhões).

O resultado ficou acima da expectativa do mercado para a empresa nos últimos três meses de 2023: receita de US$ 20,55 bilhões (R$ 101,3 bilhões), de acordo com a plataforma de informações financeiras Investing.

Desde o fim de 2022, quando a OpenAI abriu acesso ao público para o ChatGPT e fez disparar o entusiasmo com IA, o valor das ações da fabricante de chips avançados mais do que quadruplicou.

O valor de mercado da empresa subiu em mais de 150% desde a divulgação em 22 de fevereiro do ano passado do balanço sobre os resultados da empresa para 2022, quando a demanda de desenvolvedores de inteligência artificial começou a ter reflexo nos números da gigante da tecnologia.

O lucro por ação (LPA) apresentado pela Nvidia de US$ 5,16 também superou o valor esperado pelos investidores de US$ 4,64.

A empresa ainda vai distribuir dividendos de US$ 0,04 (R$ 0,20) por ação em 27 de março.

Segundo o analista-chefe da Investing, Thomas Monteiro, esses números desfazem a suspeita de que a Nvidia passe por uma bolha. Nas transações após o fechamento da Bolsa de Nova York desta quarta, o valor dos papéis da fabricante de chips apresentava alta na casa dos US$ 50.

A Nvidia produz as chamadas GPUs (unidades de processamento gráfico), essenciais para treinar grandes modelos de inteligência artificial, como o GPT da OpenAI e o Gemini do Google. Desse mercado de chips de IA de ponta, 80% está sob o controle da empresa.

Essa cobiçada peça chegou a ser vendida por mais de US$ 30 mil (cerca de R$ 147 mil) no varejo, por ser essencial para treinar plataformas de IA generativa em um tempo viável e, em determinados momentos do ano passado, esteve em escassez.

Para suprir essa demanda, a empresa de tecnologia investiu US$ 2 bilhões (R$ 9,74 bilhões), de um total de US$ 2,9 bilhões (R$ 14,2 bilhões), na construção de uma nova planta focada em chips de IA para a TSMC, fábrica taiwanesa de chips que tira os projetos da Nvidia do papel.

O setor de datacenters da Nvidia foi responsável por 83% da receita anunciada no balanço, uma vez que a empresa também direcionou sua capacidade produtiva para reforçar seus centros de processamentos de dados.

A gigante da tecnologia aluga sua capacidade computacional para empresas menores desenvolverem os próprios projetos.

"A performance de nossa plataforma de datacenters é impulsionada pelos drivers especializados no processamento e treinamento de dados de serviços de nuvem e também de grandes empresas", afirmou o chefe-executivo da Nvidia Jensen Huang, em comunicado. Isso significa vantagem competitiva no desenvolvimento de soluções de inteligência artificial.

"A área de chip mostra um padrão que a empresa que detém a tecnologia de ponta domina sempre cerca de dois terços do mercado, e a Nvidia está lucrando com isso", disse Monteiro, da Investing, em entrevista à Folha.

Essa dominância sobre um mercado com possibilidade de crescimento exponencial é o que atrai dinheiro de grandes fundos e também de investidores domésticos para a fabricante de chips.

A posição estratégica da Nvidia fez a empresa superar a Tesla como a ação mais negociada de Wall Street neste início de ano.

A representação descomunal da Nvidia nas negociações diárias de ações deixou os investidores mais vulneráveis à resultados aquém do esperado, o que levou a uma desvalorização das ações da empresa na última semana.

No pico, as ações da Nvidia chegaram a subir 47% em 2024, e analistas ouvidos pela agência Reuters afirmaram que qualquer resultado negativo poderia reverter essa disparada. O balanço da empresa pelo semestre, porém, surpreendeu as instituições financeiras positivamente.

O frênesi com a companhia chegou a catapultar a empresa acima de Google e Amazon em valor de mercado.

Nesta quarta, Google e Amazon haviam recuperado suas posições acima da Nvidia, após o ajustes realizados pelos investidores da bolsa americana.

O entusiasmo com a empresa é tamanho que ações de empresas menores de inteligência artificial subiram no último dia 14, depois que a Nvidia revelou ter participação nelas, oferecendo pistas sobre sua estratégia de crescimento.

A Nvidia divulgou suas participações até 31 de dezembro em um documento à SEC, órgão que regula o mercado de capitais nos EUA, na noite de quarta-feira (14).

A Nvidia, contudo, lida com um risco regulatório. É o principal alvo hoje no esforço americano para restringir o acesso chinês a chips avançados. A China é o principal concorrente dos EUA no desenvolvimento de IA.

A empresa, sediada na Califórnia, busca contornar desde 2022 as limitações de exportação à China determinadas pelo Departamento de Comércio.

O país responde por um quinto da receita da Nvidia, segundo o próprio Huang. "Se formos privados do mercado chinês, não temos contingência para isso, não existe outra China", afirmou ele, no ano passado. "Se não puderem comprar, eles mesmos vão fazer."

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